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Instituto Decodifica realiza quatro Fóruns Populares para construir soluções comunitárias frente às enchentes

Encontros em Pernambuco e no Rio de Janeiro reuniram moradores, lideranças e poder público para transformar dados produzidos pelos territórios em propostas de adaptação climática e de incidência política.

Nos últimos dois meses, o Instituto Decodifica realizou quatro Fóruns Populares do projeto Retratos das Enchentes. Os encontros aconteceram em Dois Carneiros, em Jaboatão dos Guararapes (PE); Passarinho, em Recife (PE); Kennedy, em Nova Iguaçu (RJ); e Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), e reuniram moradores, lideranças comunitárias, pesquisadores, representantes do poder público e de organizações da sociedade civil.

Os fóruns foram realizados em parceria com as organizações locais: Coletivo Fala Akari, Instituto BXD, Observatório Y-guassú e Comissão Ambiental de Jaboatão dos Guararapes, com apoio do Instituto Itaúsa, da Porticus, do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e, no Rio de Janeiro, também da Fundação Heinrich Böll.

O principal objetivo dos encontros foi devolver aos territórios os resultados da pesquisa realizada pelo projeto. Além da apresentação dos dados, os fóruns funcionam como espaços de escuta, diálogo e construção coletiva. Com base nos diagnósticos produzidos durante a pesquisa de campo, moradores e organizações locais discutem prioridades e elaboram recomendações para fortalecer políticas públicas de adaptação climática, redução de riscos e justiça territorial.

O projeto utiliza a metodologia de Geração Cidadã de Dados, desenvolvida pelo Instituto Decodifica para colocar os próprios moradores no centro da produção de informações sobre seus territórios. A proposta reconhece que quem convive diariamente com os impactos das enchentes possui conhecimentos fundamentais para compreender os problemas e construir soluções mais eficazes.

Durante os encontros, foram debatidos temas como infraestrutura urbana, saneamento, drenagem, saúde, mobilidade, racismo ambiental, participação social e os desafios impostos pelo agravamento dos eventos climáticos extremos. As discussões permitiram identificar prioridades locais e formular propostas que irão compor agendas de incidência política voltadas ao poder público e a outros atores estratégicos.

Para Kayo Moura, coordenador de Pesquisa do Instituto Decodifica, os Fóruns Populares representam o encerramento de uma etapa e o início de outra na trilha metodológica de Geração Cidadã de Dados.

“Os fóruns populares são um momento muito especial do projeto Retratos das Enchentes e da forma como o Instituto Decodifica faz Geração Cidadã de Dados. É quando completamos esse ciclo, retornando os dados para a comunidade que participou da pesquisa para que as pessoas possam compreender o diagnóstico, discutir se ele faz sentido e iniciar a fase de incidência política e advocacia popular.”

Desse modo, o compromisso da pesquisa vai além da produção de conhecimento. Os dados levantados coletivamente precisam se transformar em instrumentos para reivindicar direitos e orientar políticas públicas construídas a partir das prioridades definidas pelos próprios territórios.

“A ideia é que essa produção de conhecimento não seja um fim em si. O levantamento de dados precisa virar ferramenta para transformação social e pressão política. É nos fóruns que começamos a construir, junto com a comunidade, as agendas políticas e as reivindicações que depois se transformam em cartilhas comunitárias baseadas em evidências e construídas de forma coletiva”, explica Kayo Moura.

Os fóruns também fortaleceram o protagonismo das organizações locais na mobilização e na coleta de dados em cada território. Foram elas que apresentaram os principais achados da pesquisa aos seus próprios moradores. Isso reforça o princípio da Geração Cidadã de Dados de que a produção de conhecimento deve permanecer acessível e útil para quem vive diariamente essa realidade.

Como destaca Kayo Moura, esse processo fortalece o sentimento de pertencimento e amplia a compreensão coletiva sobre os impactos das enchentes.

“É muito poderoso ver esses dados sendo apresentados pelo território para o território. Os números, as experiências e os sentimentos ficam muito latentes e construídos de forma coletiva. A partir dessa devolutiva, as pessoas fazem a priorização das reivindicações políticas e do que querem transformar, com base em evidências produzidas de forma participativa.”

De acordo com Mariana Galdino, coordenadora de Incidência do Instituto Decodifica, os fóruns também representam uma etapa estratégica do projeto por fortalecer o diálogo entre pesquisa e ação coletiva.

“Durante os fóruns, além da devolutiva dos dados, a gente utilizou esses resultados como insumo para pensar quais são as prioridades e quais são as propostas prioritárias que vêm dos territórios, o que as pessoas e os moradores enxergam como fundamental e mais importante de ser enfrentado nesse contexto das enchentes. Trabalhamos com a metodologia do Café Mundial, fazendo debates em torno dos eixos da pesquisa para construir coletivamente essas propostas, garantindo participação social, governança participativa e escuta ativa.”

Os quatro Fóruns Populares marcam uma etapa importante do projeto Retratos das Enchentes, que investiga como as populações periféricas vivenciam os impactos das enchentes e busca fortalecer respostas construídas pelos próprios territórios.

A próxima etapa da pesquisa em Pernambuco e no Rio de Janeiro será a construção de cartilhas comunitárias com as prioridades definidas durante os fóruns. Em breve, novos Fóruns Populares serão realizados no Maranhão, onde a pesquisa de campo está em andamento. Após a consolidação e análise dos dados, a fim de compartilhar os resultados com as comunidades e construir, de forma participativa, propostas de adaptação climática, que também darão origem às cartilhas comunitárias e às agendas de incidência política de cada território.

Saiba mais sobre Retratos das Enchentes no documentário “Depois que a água abaixou”.