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Oficina “Beabá da COP” descomplica a política climática durante a COP30 em Belém

Oficina realizada na Casa das ONGs, na COP30, reuniu comunicadores e lideranças comunitárias para traduzir a linguagem da política climática e fortalecer a participação popular nas decisões sobre o clima.

Na última segunda-feira, 10, o Instituto Decodifica, em parceria com a Confluência das Favelas, realizou a primeira oficina presencial do projeto Beabá da COP, na Casa das ONGs, em Belém, como parte das atividades da COP30. A roda de conversa reuniu cerca de 30 participantes, entre jovens, comunicadores, ativistas e representantes de organizações comunitárias, com o objetivo de descomplicar a linguagem da política climática para o cotidiano dos territórios periféricos.

A atividade foi mediada por Luzia Camila, analista organizacional, com participação de Aíla Cristhie, analista de comunicação, Renan Victor, analista de incidência, e Mariana de Paula, diretora-executiva do Instituto Decodifica. Juntos, eles apresentaram os conceitos e debates que compõem o Beabá da COP, uma cartilha em formato de glossário popular que explica, de forma simples e acessível, as siglas, termos e acordos que estruturam as negociações internacionais sobre o clima.

“A linguagem da COP costuma ser muito técnica, e isso contribui para o afastamento das pessoas das decisões que impactam diretamente suas vidas. O Beabá da COP nasce para romper essa barreira e afirmar que o conhecimento sobre o clima é um direito de todos”, explicou Aíla Cristhie durante a roda.

Ao longo da conversa, os participantes refletiram sobre a importância da comunicação popular como ferramenta de justiça climática.
A dinâmica participativa final convidou o público a responder à pergunta: “O que nós, como comunidade, esperamos da COP30 em Belém?”,  resultando na criação de um mural coletivo de percepções, com palavras, desenhos e frases que expressam o olhar das periferias sobre a conferência.

“Pensar em como as populações periféricas e ribeirinhas precisam estar nesses espaços e integrar essas discussões é fundamental. É necessário entender os significados e mecanismos que perpassam a COP, e ocupar os espaços que falam sobre nós e sobre os nossos territórios”, destacou Luzia Camila, do Instituto Decodifica.

A política climática internacional é construída em torno das Conferências das Partes (COP) — encontros anuais organizados pela ONU para discutir medidas globais de enfrentamento à crise climática. Nesses espaços, líderes e negociadores de quase 200 países definem metas, acordos e estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa e financiar ações de adaptação.
Apesar do impacto direto nas populações mais vulneráveis, as discussões da COP ainda são marcadas Definir imagem destacadapor uma linguagem técnica e distante da realidade dos territórios.

“A oficina foi cheia de conhecimento. A gente falou dos elementos que envolvem a COP e suas decisões. Aprendemos, nos comunicamos e refletimos sobre o que esperamos. Essa foi minha primeira vez na COP e, para mim, essa oficina é o que vou levar para, na próxima, tentar estar em espaços de tomada de decisão e poder falar mesmo”, relatou Mirela, da UNAS Heliopólis.

A atividade marcou o início de uma série de ações formativas do projeto, que seguirá durante e após a COP30.
As próximas oficinas do Beabá da COP acontecem nos dias 13 e 14 de novembro, também em Belém, com novas rodas de conversa voltadas à comunicação popular e à formação climática.


Próximas oficinas do Beabá da COP na COP30

 13 de novembro | 9h às 10h
Local: Casa Dourada Psica — Rua Canal do Galo, 866 – Pedreira, Belém – PA

 14 de novembro | 15h às 17h
Local: Casa Preta Amazônia — Rua dos Bacuris, 125 – São João de Outeiro, Belém – PA

A cartilha Beabá da COP: A COP explicada para quem vive na linha de frente da crise climática está disponível gratuitamente no site do Instituto Decodifica, com tradução em inglês e espanhol.